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Archive for janeiro \02\UTC 2016

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Você viu ele chegar; amigo de uma amiga, com aqueles olhos de quem quer te pegar e aquela cara de quem quer te enganar. Ué, você já sabe: se ele te quiser, é porque ele quer brincar com você. É sempre assim; afinal, homens são todos iguais. Eles chegam com topetes e sorrisos enormes prontos pro bote; você sempre cai. Você sempre se envolve demais, é intenso, escreve uma meia dúzia de poesias. Você faz planos, pensa nos presentes de dia dos namorados, ensaia um discurso pra apresentar ele pra sua mãe. Aí, num belo dia, ele te diz que você o assustou com todo esse seu jeito apaixonado, e termina com a frase clássica: “não estou pronto pra um relacionamento sério”. Fim.

Suas histórias de amor começam a ser mais entediantes e repetidas do que músicas da Taylor Swift – e é aí que você decide sair, badalar, dançar só um pouco, e beber um pouquinho mais. Suas amigas todas também estão solteiras, e a vida começa um ciclo que parece interminável – fim de semana vira sinônimo de sair, nem que seja pra tomar um café; balada vira uma segunda casa, e você perde a conta dos beijos; o coração continua lá, batendo, mas começa a endurecer. Primeiro pelas beiradas. Depois, quando você dá por si, se pega fazendo cara feia pra um casal que senta do seu lado no ônibus.

Mas vamos voltar pro primeiro parágrafo; você viu ele chegar. Lindo, é impossível negar. Com aqueles olhos de quem quer te pegar e aquela cara de quem quer te enganar. Você logo pensa: não vou ter nenhuma chance. Você se boicota. Você dá o primeiro passo pra nuvem escura e pesada do bloqueio emocional se instalar na sua cabeça e te fazer culpar o mundo todo pela sua solteirice, menos você mesmo. Você decide que só por ele ser insuportavelmente maravilhoso ele não pode te querer; porque você é isso demais, e aquilo de menos. Porque todos os caras da sua vida, menos bonitos do que ele, cagaram mil e uma merdas no seu coração, e te fizeram acreditar que o amor é uma lenda 

de um folclore distante e antigo. Porque você agrupou todos os homens do planeta numa caixinha, generalizando todos como se fossem um único monstro devorador de cartas românticas. Porque você decidiu, na sua cabeça, de uma vez por todas, que histórias de amor, simplesmente, não eram pra você. Elas podem ser pra livros, filmes, ou até para aquela amiga que namora o mesmo cara há seis anos; mas não pra você. O amor não te escolheu, mesmo quando você escolheu ele – o amor decidiu que você nasceu pra dar conselhos, e não viver.

O menino te cumprimenta, puxa assunto. Você percebe, uns vinte minutos depois, que além de lindo, ele é inteligente. Partidão. Melhor genro que sua mãe poderia cogitar. Ah, mas não. Se ele é tudo isso, é porque deve ser ruim de cama. Deve ter pau pequeno. Deve ter traído todos os ex-namorados. Deve ser um babaca. Deve tratar mal o garçom. Deve querer só uma noite e nada mais.

Mas e se ele, por algum motivo, apenas quisesse você?

Não, isso nunca ia acontecer. Isso não pode acontecer; porque, afinal, eu nem preciso do amor, poxa. Tô aqui esse tempo todo sozinho, e tá tudo bem. Não é possível ele achar alguma graça no meu sorriso bobo ou nas minhas covinhas tortas.

Só que ele resolve pedir seu telefone, e vocês começam a conversar. Você finge ser uma pessoa normal, enquanto a cada mensagem sente o coração disparar e a mente gritar em resposta – vocês não tem nada a ver! Nada!

Então começa a fase dos motivos; você decide elencar os porquês de não gostar dele – quando, simplesmente, é óbvio notar que ele é o cara da sua vida.

A primeira tentativa é a hora de colocar a culpa nos signos; não me diga que você realmente nunca nem cogitou a hipótese de que talvez a culpa da sua falta de interesse fosse do seu ascendente em Áries ou do seu Vênus em Capricórnio – porque é sempre assim: a gente transforma nossos bloqueios todos em motivos sem pé nem cabeça pra não se entregar logo.

O problema é que você descobre que ele é de Peixes, e você de Virgem. Ferrou. Signos opostos, casal perfeito.

Hora de partir pra próxima – ah, vocês não combinam visualmente. Sim, isso mesmo: alguma coisa na sua cabeça te diz que vocês não têm nada a ver como casal; vocês não combinam. Seus braços são desproporcionais à cabeça dele e o cabelo dele é jogado pra trás demais – você deveria namorar alguém mais alto. Mais gordinho. Mais qualquer-outro-adjetivo.

Você, aliás, nem deveria namorar – porque o bloqueio nos faz acreditar que, além de namoro não ser pra gente, ele também só dá dor de cabeça.

Nosso bloqueio vive nos mostrando apenas um lado da vida – o lado em que nossa independência domina, e nos deixa fazer o que quisermos na hora que quisermos. E é então que o namoro ganha essa cara de prisão – quando, na verdade, o amor é muito mais compartilhamento.

Bloqueios emocionais nos fazem esquecer de uma coisa vital: o namoro vai acontecer não quando você precisa, mas quando você quer. Você se sente bem, completo, feliz e realizado – mas, aparentemente, dentro desse mundo onde tudo está perfeito, se ele estivesse ao seu lado, as coisas estariam melhores; muito melhores.

Se aquele menino te chamar pra sair, é sempre melhor pensar duas vezes.

Pode ser que suas histórias de amor tenham durado menos do que aqueles noventa minutos. Pode ser que elas tenham se repetido algumas vezes. Pode ser que elas nunca nem ao menos tenham existido.

Mas quem foi que disse que histórias de amor, uma hora, não surpreendem?

Então, deixa. Aceita logo que aquela coisa mais linda do mundo, com aqueles olhos gigantes e o coração maior ainda, gosta de você. De verdade. Deixa ele dizer que você é lindo, inteligente e tudo que ele sempre procurou. Deixa ele te chamar pra sair, perguntar sobre o seu dia, te fazer café da manhã. Deixa ele te querer em paz.

Porque – sim! – você é uma pessoa capaz de ser desejada, querida e esperada – bingo. Também é possível você se apaixonar por alguém que também gosta de você. Uau! Já pensou que pode ser que a sua hora tenha chegado, e você tenha deixado ela ir embora por medo?

Medo de quebrar a cara. Medo de outro refrão da Taylor Swift. Medo dele gostar de você.

É sério. Fazer papel de trouxa não é gostar demais; e não deixar gostar. É se tornar uma pessoa cheia de manias e noias, sem querer que te reguem porque você tem medo de desabrochar; e já dizia Clarice – logo chega a hora de transbordar.

Se você tem vergonha de amar em excesso, é porque você nunca amou de verdade.

Se for pra quebrar a cara no fim, vamos quebrar. Se espatifar é essencial pra poder se reconstruir – e o término também amadurece, também solidifica, também faz a gente se amar mais.

Então, quando ele entrar por aquela porta e as borboletas do seu estômago simplesmente começarem a querer fugir, repense – é muito melhor chorar por viver uma história do que perder a oportunidade de escrever o seu livro.

Se ame. Se ame mesmo. Pra caralho. De verdade. Se ame, mas não se boicote – é possível viver um relacionamento com independência, liberdade e maturidade. É possível o amor acontecer. Até pra você. Palpite.

(Martha Medeiros)

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Carta sem resposta.

Começamos isso faz mais ou menos um mês, mas parece que já temos uma vida inteira juntos. É engraçado como o destino ou a vida, seja lá o que queira denominar, nos prega peças e nos faz parar tudo o que estamos fazendo para pensar em como coisas assim pode acontecer.

Como bem disse a Roberta Sá em uma de suas canções, “eu tava aqui na minha e você foi aparecer derramando estrelas sobre a minha solidão” e eu percebo que não sou tão forte e tão blindada quanto acreditava ser. Você chegou, ou melhor, voltou após anos, invadindo novamente a minha vida e rotina programada, me fazendo perder o chão por alguns segundos e respirar cada vez mais fora do compasso. Você volta à minha vida me fazendo sorrir das minhas próprias frases de efeito, da minha forma de falar com as mãos, do modo com que eu prendo o cabelo e mordo involuntariamente os lábios e o canto da unha. Você volta me fazendo mil e um questionamentos sobre meus segredos mais obscuros que, talvez , eu tenha até escondido de mim mesma. Você volta com a promessa de não me fazer desistir, mais uma vez, de nós.

Como já justifiquei, me afastei de você porque, de fato, não acredito que eu seja uma princesa dos contos de fadas que estão destinadas a ter um final feliz. Claro, pode até aparentar ser um discurso clichê que a Martha Medeiros condenaria, mas eu não posso evitar, isso é o que eu realmente penso. Além disso, você tem três tatuagens enormes, torce para o Corinthians e não acredita em minhas crenças e superstições o que, automaticamente, seriam grandes problemas com a minha família. Sim, levo muito à sério o que eles pensam, muito embora eles não acreditem nisso… Mas apesar das péssimas escolhas, você me faz querer ter uma casa, um dálmata e filhos.

Eu sei que às vezes ou quase sempre exagero nas interpretações, paciência curta e respostas grossas. Sei que eu procuro problemas onde não tem. Sei que você sente que só você faz por nós e eu apenas assisto o seu esforço deitada no sofá. Sei que tudo isso está se tornando insustentável. Sei que a qualquer momento, mais uma vez, isso chegará ao fim. Sei que a culpa será minha e que irei lamentar profundamente… Não gostaria de passar pelo adeus, mais uma vez…

Eu sei que é difícil acreditar, mas eu não queria que deixássemos de ser nós.

E eu falei, falei, falei e falei e não te deixei falar… Não me olha com essa cara de quem não está entendendo o que eu estou querendo dizer. Não, eu não sei explicar as coisas de maneira mais claras. Fale você, de uma vez e acabe com essa tortura dentro de mim. Ponha um fim nesse dilema e me diga logo se vai ou se fica; se desiste ou tenta; se me ignora ou me suporta… só não deixe existir esse silêncio absurdo entre nós.

Tá, vamos fazer assim: pare, pense e só fale um sim ou um não. Se não quiser falar, me escreva… só não me deixe falando só e sem resposta. Fico aqui com a Roberta Sá, exatamente no trecho “Nem sei se eu quero pensar mais nada, nada… Tudo que eu tinha larguei pelo chão de uma outra estrada…”.

Beijos e até o seu tempo.

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